CRONOGRAMA DOS ELOGIOS

CRONOGRAMA DE APRESENTAÇÃO

 

 

Oração de Elogio ao Patrono da Cadeira 05 da Academia de Letras e Artes de Martins – ALAM


ELIZEU VENTANIA
Por Antônio Clóvis Vieira

APRESENTAÇÃO

Não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. (Thiago de Melo) 

O significado da ciência não pode estar dissociado da criatividade assim como as condições intelectuais de integrar uma instituição que se compromete com o desenvolvimento da cultura e da produção do conhecimento, como é o caso da Academia de Letras e Artes de Martins - ALAM.

Elogio proferido em 08 de Novembro de 2014, no salão nobre do Hotel Serrano.

Neste sentido, na qualidade de Cordelista, Pesquisador e Advogado martinense, entendo que é meu dever homenagear a pessoas que contribuíram para a historia social e política de Martins alicerçada, não só no resgate das minhas memórias, mas no significado das fontes das informações sobre Elizeu Ventania, aproximando-nos o máximo possível do caráter histórico documental sobre o perfil pessoal e profissional da vida do Homenageado. Na certeza de que o compromisso assumido tem credibilidade exponho informações niveladas ao nível de qualidade do homenageado, cujos valores éticos foram praticados, com base em relações humanas e duradouras, engajadas no sentimento profundo vindo do coração poético. Tudo conjuga com a essência de Elizeu Ventania, quando diz:

O povo diz que cada uma criatura 
Tem uma estrela que ilumina seu viver 
Já sei que a minha não acende está escura 
E se acende, está distante, não me vê 
Eu não conheço o que é felicidade 
A humanidade escurece meu valor 
Vivo rompendo a maior dificuldade 
Ninguém no mundo da um passo em meu favor.

A minha estrela toda vida é apagada 
Tudo no mundo é difícil para mim 
Prá onde olho vejo espinho em minha estrada 
Não sei por que o grande deus me fez assim 
Se é verdade que existe a minha estrela 
Há muito tempo pra o meu lado escurecer 
Se há fortuna eu não pude recebê-la 
Não há quem seja sofredor mais do que eu. 

Feliz quem nasce numa estrela reluzente 
Arranja tudo que quizer, sem se vexar 
Pra onde olha vê fortuna em sua frente 
A sua estrela lhe ajuda a melhorar 
Porém a minha se existe é apagada 
Por isto mesmo, é que estou sofrendo assim. 
Quem tem meu signo é infeliz, não goza nada 
Felicidade nem se fala para mim. 

Existe gente que me diz que o tempo muda 
Mas o meu tempo até hoje não mudou 
A minha estrela é apagada, não me ajuda 
Às vezes penso que Jesus me abandonou 

Eu vou agora esperar que o tempo mude
Pra ver se é certo o que sempre o povo diz 
Talvez um dia a minha estrela me ajude 
E eu ainda seja um ente bem feliz.

Assim é que conto em sextilha cordel um pouco da história de vida do grande cancioneiro 

Elizeu Ventania:

Eu pretendo nestes versos 
Também homenagear 
O nosso rei das canções 
É dele que vou falar, 
Grande Elizeu Ventania 
Cancioneiro exemplar.

Da Cidade de Martins 
Donde ele é natural 
Seu pai se chama Eustáquio 
Visão dimensional 
A sua mãe Conceição 
Uma mulher sem igual. 

Ele tinha três irmãos
Um se chamava Agostinho, 
O mais novo era José, 
Nascido do mesmo ninho 
Sem esquecer que Jocosa 
Cuidou com todo carinho.

Com João Liberalino 
Em dupla cantavam bem, 
Trovando em pé de parede 
Não perdiam pra ninguém 
Nota de improvisação 
Em vez de dez era cem.

Foram quarenta e dois anos 
Que empunhou o violão, 
Com dezoito de idade 
Fazia bela canção 
Com o seu estilo próprio 
Para comunicação.

Cantou em vários programas 
Da emissora Rural, 
Tapuyo e libertadora,
E Cabugí de Natal 
Do Rio Grande do Norte 
Capital Espacial.

Ganhou fama em Mossoró 
Quando entrou na Difusora, 
Na Rural de Caicó 
Cidade acolhedora, 
Na Clube do Ceará, 
Terra bela e promissora.

Foi na TV brasileira 
Que Elizeu cantou bem, 
Na antiga Verdes Mares 
Ele improvisou também, 
E na TV Ponta Negra 
Cantou igual um vem-vem.

No Vale do Jaguaribe 
Cantou na Educadora, 
Também na Rádio Progresso 
Uma grande emissora, 
La da Cidade de Russas
Região conservadora.

Vivia fazendo amigos 
Por todas as regiões, 
Participou de eventos 
Que atingiu dimensões, 
Por isso ganhou o titulo 
“Elizeu rei das canções”.

Cantando ele defendia 
O nosso trabalhador, 
Foi Elizeu Ventania 
Um Ilustre cantador, 
Que cantou a folha seca 
Com o perfume da flor.

Cantou com muito sucesso 
Invernada no Sertão, 
Porque todo agricultor 
Adora de coração 
A chuva que cai na terra 
Criando a vegetação. 

Elizeu gravou dois discos
Os quais o povo agradece,
Folheto, CD e fita,
Quem gosta não se esquece
A Cidade de Martins
Seu talento reconhece.

O Brasil todo conhece
Seu nome imortalizado
E o Nordeste também
Quem mais lhe fez convidado,
Até pelos acadêmicos
É ele homenageado.

Todo Brasil reconhece
Sua bela melodia,
Seja ritmo de canção
Ou estilo cantoria,
Seus versos improvisados 
E o encanto da poesia.

Elizeu com sua voz
Se destacou dos demais,
Chegou a participar
Dos maiores festivais, 
Com folha seca ganhou 
Fama dinheiro e cartaz.

Martins reconhece e zela 
O nome desse poeta 
Que cantou e encantou 
Igualmente a um profeta, 
Entrou para a Academia 
Uma atitude correta. 

Elizeu meu bom poeta 
Quando gravaste o LP, 
Mossoró lhe apoiou 
A razão digo porque 
Fizeram até uma estátua 
Em homenagem a você.

Finalizo e agradeço 
A todos os bons leitores, 
A Elizeu ventania, 
E poetas escritores 
Que valorizam a cultura
E os seus bons seguidores. 

Como eu sou Advogado 
Eu conheço muito bem 
A lei que dá o direito 
Que todo cidadão tem, 
Por isso dou um conselho 
Vá atrás do seu também. 

Colegas da OAB 
E leitores em geral, 
Observe esse meu verso 
Visivelmente ideal 
Improvisar é preciso 
Sabedoria informal. 

CONSOLIDANDO 

Elizeu Elias da Silva, nascido no sitio Jacu, no município de Martins em 20 de julho de 1924, veio a falecer em Mossoró, aos 74 anos, em 19 de outubro de 1998. Desde criança se identificou com a música e aos 18 anos percebendo sua vocação, decidiu fazer da cantoria o seu ganha-pão, influenciado por outros violeiros. De início, pensou em se chamar Elizeu Serrania para homenagear a cidade de Martins, mas descobriu que já havia artista com o mesmo nome e então, optou por Ventania. 

Aos 18 anos seguiu para Fortaleza onde, com a convivência com outros violeiros se aprimorou na arte da cantoria e iniciou sua trajetória artística. Durante anos, viveu apenas das canções, do repente e da viola, viajou todo o Nordeste, Norte e Sul do País fazendo cantorias e com outros cantadores, entre eles João Liberalino com quem formou uma das mais famosas duplas de toda a região. Juntos eles foram para o rádio com o programa Rimas e Violeiros, sucesso por mais de vinte anos e companheiro com quem gravou o LP O Nascimento de Jesus em 1972. 
Em 1971, Elizeu já havia gravado seu LP. “Canções de Amor”. 
Em 1979 gravou o terceiro e último disco “Chorando ao Pé da Cruz”, pela Continental vendendo 40 mil cópias. 
Apesar de ser analfabeto, isso nunca o atrapalhou. Ele costumava declamar os seus versos até decorá-los. Depois com o uso de um gravador, as letras eram transcritas por amigos e familiares.
Com os anos, seu trabalho foi ficando mais difícil. Aos 60 anos ficou cego vitimado pela catarata irremediável diante da falta de condições de pagar um caro tratamento. 
Nos seus últimos anos de vida, Elizeu era figura urbana, conhecido por sua banca ao lado do mercado público central, onde cantava as músicas e vendia fitas cassete com as gravações. Ele calculava ter vendido mais de 100 mil fitas cassetes. 
Pouco tempo depois, nos últimos dois anos de vida, Elizeu Ventania já não estava mais gravando e vivia da ajuda financeira dos filhos. Nessa época o cancioneiro já não vivia mais com a mulher legítima, Francisca Limeira Sales, há mais de quinze anos. Toda a doença foi acompanhada de perto por sua companheira Benedita Neuma Sena, com quem conviveu os últimos vinte anos de vida. 
O cancioneiro teve ao todo oito filhos. Em 19 de outubro de 1998 ele faleceu após uma parada cardiovascular no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) , em Mossoró-RN, oriundo de um enfisema pulmonar e depois de quinze dias de internação na UTI. Deixou mais de 200 composições inéditas e uma trajetória a ser recordada pelos cantadores de todas as gerações.

Encerrando, quero expressar minhas homenagens e agradecimentos a todos que direta ou indiretamente contribuíram para que este Documento fosse elaborado. 

Tenho a crença de que o sonho é possível sonhar e se indagar sobre a vida. Tenho convicções de que:

Juntei a carcaça da lembrança 
Busquei o que não mais encontrava 
Percebi que muito ainda buscava 
Muito pra ser feito e aprendido 
Para encontrar o perdido 
Com amor e fraterna esperança.

Aprendi que a coragem não é ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. (Nelson Mandela) 

Estação das Artes Elizeu Ventania em Mossoró RN

Estatua de Elizeu Ventania

O PRIMEIRO OCUPANTE DA CADEIRA 05: ANTÔNIO CLÓVIS VIEIRA 
OAB/RN – 6.450 / OAB/CE – 30.140 
Endereço: R. Maria Perdigão, 21, Ind. II, CEP 59.600-000

ELOGIO AO PROFESSOR RAIMUNDO NONATO DA SILVA

PATRONO DA CADEIRA 06

Primeiro Ocupante: Francisco Vieira Filho

Solenidade realizada em 23 de janeiro de 2016, no Salão de Eventos da Radio Vida, em Martins –RN..

 

PALAVRAS INICIAIS 

O seu melhor Professor é você mesmo. Estude-se, descubra-se, analise-se, corrija-se, aprenda. (Chico Filho)

Dando continuidade ao meu caminhar na construção da imortalidade acadêmica, eis que dedilho o texto desta plaqueta para legitimação do ícone da cultura potiguar, o Dr. Raimundo Nonato da Silva como patrono da cadeira 6 da Academia de Letras e Artes de Martins – ALAM.

Acredito que esta é uma primeira aproximação do grandioso projeto que tenho: o de construir uma coletânea do resgate histórico da família do Professor Dr. Raimundo Nonato, que na sua simplicidade campesina fez com que o mesmo alçasse grandes vôos na intelectualidade.

QUEM SOU EU?

Cada amanhecer é um avanço na metamorfose da existência, nos conduzindo constantemente ao desenvolvimento espiritual. Permita-se à transformação e robustez do seu Espírito. (Chico Filho)

Sou Francisco Vieira Filho, nascido aos 28 de janeiro do ano 1967. Martins é o meu solo natal, uma serra bela e de um clima agradável.

Por ser deficiente físico e filho de pais pobres, não tive a oportunidade de ir para a escola igualmente as outras crianças. Fui criado em meio a muita humildade mas também à bastante disciplina. Minha mãe Maria da Conceição Andrade e o meu pai Francisco Antônio Vieira (Chico Chapéu), ambos In Memoriam, criaram-me cercado de honestidade, fortificando assim, o meu caráter.

Cresci em idade vendo a criançada fazer coisas que eu não podia, como subir em árvores, jogar bola, brincar de cabra-cega e outrem; passei a infância e adolescência sem viver.Todavia sentia algo em meu interior que eu não sabia oque era. Só mais tarde fui entender. Lembro-me que o meu pai Chico Chapéu, todos os dias retirava da gaveta de uma mesa velha, um livro de aparência bem antiga, com folhas amareladas pelo tempo e ficava horas à folhear, eu não sabia do que se tratava, mas eu ficava bastante curioso. Tempos depois descobri que aquele livro era um Dicionário da Língua Portuguesa.

A minha curiosidade ficou mais aguçada, é que eu queria também lê-lo; mas como? Se eu não sabia nem escrever o meu nome? Os anos passavam-se e como eu não podia sair de casa devido a minha falta de locomoção, o meu pai começou a trazer da Escola Almino Afonso, onde o mesmo trabalhava como ASG, livros para que eu me entretivesse olhando as ilustrações. Não sei se por milagre ou força de vontade, o fato é que quando dei por mim já estava sabendo ler. O meu pai inconscientementeempurrou-me para o saber, ele foi o meu incentivador e os livros os meus professores.Hoje sou membro da ALAM, Academia de Letras e Artes de Martins, e darei o meu melhor para que essa Academia seja fermento vivo para a Cultura.

Sobre minha produção acadêmica, após o sucesso do livro “filosofia de um burro: com as memórias de um pensador”, já está a caminho o “filosofia de um burro: com as memórias de um pensador II”. 

Se o teu Deus é o Verdadeiro, então não há motivos para preocupações nem tristezas, agora, se o seu deus é o de faz de conta; prepare-se, pois o seu barco vai afundar. (Chico Filho)

QUEM FOI DR. RAIMUNDO NONATO?

Foto de Dr. Raimundo Nonato.

Escritor, advogado, memorialista, nasceu em Martins/RN, em 18 de agosto de 1907, num dia de segunda-feira, sendo filho do casal lavrador João Cardoso da Silva e Ana de Lima e Silva. Desde muito cedo começou a trabalhar com os pais na lida do campo. Segundo seu depoimento: "A bem dizer, não cheguei a ter infância, nem conheci a mocidade, pois mal abri os olhos para o mundo, fui logo atirado aos rudes afazeres do campo, no trato da terra, na vida solta, no meio agreste de uma natureza madrasta; a fome rodava por perto, era raro o dia em que o fogo via a panela".

Em 1919, aos 12 anos de idade, era tangido pela grande seca que assolava a região, descendo a amada Serra do Martins, percorrendo o mesmo caminho de Lampião, até chegar a Mossoró. A "cidade grande" o deslumbra, mas não tem tempo para brincadeiras. Inicia sua vida como engraxate, ocupando também outros subempregos como varredor de hotel, carregador de cadeiras ou qualquer outra ocupação que lhe rendesse algum dinheiro. Não sabia ler; e foi com muita dificuldade que iniciou os estudos das primeiras letras e noções gramaticais, indispensáveis às necessidades educacionais. Com a ajuda de Raimundo Reginaldo da Rocha ingressou na Escola Normal de Mossoró de onde saiu professor primário na sua segunda turma em 1925, já com dezoito anos de idade. Ingressou no magistério público como professor e diretor de Grupos Escolares em São Miguel, Serra Negra, Apodi e Natal, onde serviu adido à Secretaria de Educação do Estado.

Sua atuação, quando fixando residência em Mossoró, foi das mais proveitosas nos círculos educacionais, intelectuais e jornalísticos. Exerceu magistério secundário na Escola Normal, Colégio Diocesano Santa Luzia, no Sagrado Coração de Maria e na Escola Técnica de Comércio União Caixeiral. Foi colaborador da imprensa local, ora escrevendo artigos, comentários, ora versejando com sua revelação poética que somente mais tarde seria descoberta.

Formado em Direito pela Faculdade de Alagoas, ingressou no Ministério Público, sendo nomeado Juiz de Direito da Comarca de Apodi, em cuja função se aposentou.

Em 1962 foi morar no Rio de Janeiro, mas nunca esqueceu a sua terra adotiva. Sempre que podia, voltava a Mossoró para encontrar os amigos e rever a cidade, 

principalmente nas festas de 30 de setembro, que é a maior festa cívica de Mossoró. Além de professor, magistrado e jornalista, tornou-se cronista, historiador, escritor e poeta, possuindo uma bagagem literária que o fez um dos grandes da literatura potiguar.

Quando questionado de como tinha se tornado escritor, respondeu:

"- Desde o tempo de estudante que eu frequentava umas pequenas tipografias. Eu vivia lá por dentro e rascunhava umas cronicazinhas e depois uns jornalzinhos de festas, levando pancada e bengalada, porque a gente bolia com os namoros, depois dentro do próprio O Mossoroense com outro jornalzinho, depois dentro do Correio do Povo, com jornal mais sério, "O Correio Festivo", com o Américo de Oliveira Costa, onde nós fomos ameaçados de umas pauladas, por termos bolido com o namoro de alguém e o Américo foi procurar o juiz para garantir. De forma que vem desse tempo o começo. O livro, cronicazinha, livro mesmo sério, eu publiquei o meu. Sério é a forma de dizer quando publiquei o "Quarteirão da Fome"

Raimundo Nonato era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Norte-rio-grandense de Letras, da Federação das Academias de Letras do Brasil, do Instituto Genealógico Brasileiro de São Paulo, da Associação Brasileira de Escritores, do Sindicato dos Advogados do Brasil, da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, da Associação dos Professores do Rio Grande do Norte, da Associação Brasileira de Imprensa, do Sindicato dos Jornalistas Liberais da Guanabara, da Sociedade Brasileira de Folclore de Natal e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar de Mossoró. Deixou mais de oitenta livros publicados de fundo literário, histórico e biográfico.

Morreu no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 1993, quatro dias após seu aniversário de 86 anos de idade. Num artigo publicado em 30 de setembro daquele ano, intitulado "Bilhete a Nonato", o historiador Raimundo Soares de Brito se despede do amigo dizendo: "Enquanto houver um 30 de setembro, você estará aqui conosco marcando presença em espírito na memória dos seus amigos que são inumeráveis. Ficará para sempre porque você deixou o seu nome indelevelmente gravado nas pedras das ruas de Mossoró. Nas pedras e nos corações dos habitantes dessa Mossoró que você tanto amou. Boa viagem, meu velho companheiro e até o próximo "trintão", se Deus quiser..."

Na verdade, Raimundo Nonato foi um admirável historiador, um excelente cronista, cuja capacidade para fixar datas, ambientes, caracteres e comportamentos humanos, parece inexcedível. Um escritor fiel no registro da vida, das aventuras, do heroísmo e das glórias da sua província. Preocupou-se em transpor, para os livros, os modismos das gentes, a paisagem de sua terra, os acontecimentos do cotidiano que vão enchendo os nossos dias. Por isto sua obra contém, hoje, material inestimável para o futuro historiador, o futuro estudioso da sociedade desta área do Rio Grande do Norte, que afinal nenhuma importância teria, não fora o carinho e mesmo a obstinação com que a tem retratado, em livros sucessivos, o escritor Raimundo Nonato. 

Não satisfeito, Raimundo Nonato também se aventurou como poeta e trovador, mesmo que muitas vezes escondido sob algum pseudônimo.

SAUDADE 

Saudade é rosa perdida

Do jardim do coração,

Sorriso da bem querida

A quem se teve paixão.

 

 Saudade é viver pensando

Naquele amor que passou

é relembrar soluçando

as mágoas de quem sonhou.

 

Saudade é ver do passado

as ilusões já desfeitas. 

É rir, cantar disfarçado

Quando se está com suspeitas.

 

Saudade é gozo esquecido

de um bem que já nos deixou,

o beijo, o riso sentido

de um olhar que nos fitou.

 

Saudade traz mal-estar

à vida do pensador;

é coisa que faz matar

um coração sofredor.

 

Saudade é voz que retine

no íntimo de quem tem fé.

Saudade não se define

Pois ninguém sabe o que é." 

Publicado sob o pseudônimo de "Mathusalém", no "Jornal das Moças", do Rio de Janeiro de 20 de dezembro de 1926.

OS OLHOS DA MINHA GAROTA

Olhos pérfidos, lindos, tentadores,

cheios de tal meiguice e encantamento

que aos vê-los julgo a vida um mar de flores,

sem mágoas, sem tristezas ou desalento.

 

Olhos perversos, vivos, traidores,

receosos d’alma que não têm tormento,

fitando-os, da saudade mato as dores

e de beijá-los, o desejo alento.

 

Olhos fatais, divinos, desdenhosos,

refugindo ilusões em cada riso travessos,

belos, grandes, enganosos.

 

Olhos fatais de ingrata sedução,

onde antevejo em sonho o paraíso

do amor a luz, da vida a perdição!"

Soneto encontrado nas páginas de "FESTEIRO" editado em Mossoró de 1928 a 1931.

REALISMO

Cada instante que passa neste mundo,

mais convencido eu fico que esta vida

é simplesmente uma ilusão perdida

nas voragem fatal de um mar profundo.

 

Tudo é miséria neste charco imundo

Onde somente a dor tem santa ermida.

Do lodacento pó a preferida

Pois a lama só quer verme fecundo.

 

Aquele que procura em sã verdade

representar enfim comédia à parte,

tem sempre no sorriso a vilania.

 

Porque vence quem luta com maldade

E o que conquista palmas com mais arte,

Traz na fonte o labéu da hipocrisia!...

Escrito em 1930, quando morava em Serra Negra, sob o pseudônimo "Petrônio".

CONCLUSÃO

Saio do silêncio da ignorância para buscar nas asas da inspiração do grande Raimundo Nonato sabedoria para alçar grandes vôos na produção do pensamento sobre a vida e a simplicidade de ser acadêmico.

Deixo o silêncio da noite penetrar em meus ouvidos, permitindo que a paz da brisa invada o meu íntimo e agite o meu espírito como a galhos de uma árvore. Mergulho no mais profundo do meu pensamento para criar, com imaginação, o meu próprio tesouro: a "FÉ".

Maria Alexandrina da Conceição

“A PATRONA DA CADEIRA 01”

Taniamá Vieira da Silva Barreto.

Não coloco limites nas minhas crianças; mas faço com que elas percebam o significado dos seus próprios limites e os dos outros.

Maria Alexandrina da Conceição

 

MEMORANDUM

A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. (Paulo Freire)

Elogio realizado em 03 de Janeiro de 2016.

Este é um trabalho construído para atender à condição de Primeira Ocupante da Cadeira 01, da Academia de Letras e Artes de Martins – ALAM, em que seus regulamentos impõem a necessidade de que o acadêmico mergulhe  na história de vida do Patrono, destacando, inclusive os fatos para a essência da imortalidade. Para tal, o enfoque da pesquisa histórica documental é essencial como fundamento da sua construção.

Neste sentido, na qualidade de pesquisadora e filha da homenageada, entendo que o conteúdo deste Documento não teria credibilidade se partisse apenas da minha impressão emocional e citação como testemunha dos fatos, se não tivesse em outros olhares próximos e afastados a visão sobre a história de vida da Professora Maria Alexandrina da Conceição.

Foi então preciso ir a outras fontes de informações sobre Maria Alexandrina da Conceição, entrevistando um professor que foi seu aluno, uma professora que muito conviveu com a mesma e sua última diretora. 

Adentrando numa criteriosa varredura das informações contidas nos documentos e depoimentos dos entrevistados, bem como, no resgate de minhas memórias de filha partimos para a sistematização do conteúdo desta Plaqueta, cujo maior desafio é nos aproximarmos o máximo possível do caráter histórico documental sobre o perfil pessoal e profissional da vida da Homenageada. 

duradouras, engajadas no sentimento profundo vindo do coração e com autodisciplina a serviço da educação.

Ancorada no compromisso com a credibilidade do conhecimento e no sentimento ético o material coletado foi todo contemplado no conteúdo deste, sem críticas ou exclusões; vez que todas as informações advieram de fontes de alta credibilidade científica, nivelando-se com o nível de qualidade da homenageada, cujos valores claros e praticados são permeados de relações humanas e duradouras, engajadas no sentimento profundo vindo do coração e com autodisciplina a serviço da educação.

TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO: CHEGANDO À ALAM

Das páginas passadas uma a uma durante a minha existência ou até mesmo escritas, lidas e interpretadas em coleção, possibilitou-me um amadurecimento pessoal e profissional, decorrentes do encontro e o reencontro com as mais variadas formas de saberes expressos, seja pelo conhecimento formal, seja pelo informal. 

Foram passagens que deixaram marcas positivas, pois delas amadureci para enfrentar os desafios com lucidez e determinação para construir novos enfrentamentos para novos projetos e a determinação para alcançar outras novas metas.

Nasci na zona rural da Serra de Martins, mais precisamente em Pico dos Carros, e logo cedo minha família estabeleceu moradia no Sitio Canto distante 03 quilômetros da zona urbana, onde permaneci até os 15 anos de idade, quando me desloquei para Mossoró com a finalidade de avançar em meus estudos.

No sítio canto, dos 06 aos 15 anos de idade dividi a minha vida de estudante com a lida do plantio de algodão, feijão, milho e mandioca.

Sem dúvida que a vida familiar sem condições financeiras não afetou a grandiosidade da formação ética e religiosa regadas com muito amor, paz, harmonia e fé, repassada, através do exemplo dos pais e avós.

Com a firme determinação de dar continuidade aos estudos desloquei-me para Mossoró onde me graduei e iniciei a vida profissional na docência mesmo antes de atingir a maior idade. De início dando aulas de reforço e a partir de 1970 como professora da rede básica do ensino público estadual.

Na qualidade de professora e enfermeira não poderia parar os meus estudos. Como enfermeira via e vejo esta como uma profissão que tem uma relevância socioeducativa ímpar, pois transcende a mesmice da prática assistencial, carecendo de contínua formação científica, técnica e política, por parte do profissional que a exerce.

Ao professor, por sua vez, também cumpre a busca do contínuo aperfeiçoamento de sua prática e atualização dos conhecimentos específicos e praxiológicos; decorrendo deste uma docência de alto nível de qualidade e com perspectiva emancipatória.

Eis porque desde cedo me dediquei a escrever sobre o ensino, a educação, a administração, a enfermagem, a vida e os sentimentos, seja em forma de pesquisas ou poesias. Destes escritos resultaram várias publicações conforme consta no anexo I deste trabalho.

Foi na construção e reconstrução das páginas das letras no cotidiano da vida que me tornei Imortal, integrando as seguintes Instituições Acadêmicas: Acadêmica Imortal e Patronímica da Cadeira 57 do Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências Letras e Artes (CONINTER); Primeira Ocupante da Cadeira 3, como Membro Efetiva e Fundadora da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), Primeira Ocupante da Cadeira 12, como Membro Efetivo e Fundadora da Academia de Letras e Artes Mossoroense (AFLAM), Primeira Ocupante da Cadeira 1, como Membro Efetivo Vitalício e Fundadora da Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM), Sócia Efetiva do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP) e da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), Sócia 

Correspondente da Academia Apodiense de Letras (AAPOL) e Amiga do Museu do Sertão.

Fazendo Jus ao título que me foi conferido como Membro Efetivo da ALAM e honrando com meu compromisso de Imortal da Citada Academia apresento o Elogio à Patrona da Cadeira 01 Maria Alexandrina da Conceição, legitimando à mesma a condição de Imortalidade.

Passando as páginas da vida de Maria Alexandrina da Conceição

Alfabetizar é dirigir uma peça de teatro em que o ator é ao mesmo tempo autor e platéia do espetáculo e o diretor é o espectador fanático do processo. (Profa. Alexandrina)

À GUISA DE INTRODUÇÃO

Antes de Professora Alexandrina era missionária, pois fazia de todos os espaços da sua vida momentos de ensinamentos sobre a ética, o meio ambiente, a família e a oração.

Quem de nós assumiria o desafio de ser mãe de 14 filhos, cuidar da casa e ser impecável na sua prática educativa / formativa?

O seu legado de pessoa admirável demarcou seu tempo e sua glória na construção da história da Comunidade, da Educação e da Família.

Estas são as marcas que fazem a diferença e legitimidade para que eu escolhesse Maria Alexandrina da Conceição como Patrona da Cadeira 01 da ALAM, da qual sou a primeira ocupante.

A LINHAGEM

A história de vida da Profa Maria Alexandrina da Conceição, confunde-se com o próprio significado de vida e compromisso. Sua Linhagem é

Pai – José Antonio Vieira, neto de índio, guardava em si os princípios ecológicos inerentes à raça indígena (Tapuios ou Cariris).

Mãe – Francisca Viana de Messias – professora e catequista da Comunidade Sítio Canto.

Maria Alexandrina teve na profissão de professora a sua realização pessoal de mulher e mãe, pois foi por amor que abraçou a missão de educar, catequizar as crianças a ti confiadas. Inicialmente, as da comunidade do Pico dos Carros; depois seus próprios filhos e filhas. Essa dedicação pode se dizer era hereditária já que sua mãe, Francisca Viana de Messias, foi também professora.

Sua avó Antonia (Coconha), também era ligada à educação, pois assumia a profissão de porteira (vigia) do Grupo Escolar Almino Afonso, em Martins. Aqui merece um aporte: Na década de 10, há mais ou menos 100 anos D. Antonia (Coconha) assumia uma profissão dita de homem.

O respeito ao meio ambiente, incluindo o ser humano foi herdado, principalmente de seu avô, índio que, por instinto pregou a seus filhos, netos e bisnetos a importância da preservação do que Deus nos deixou. A nossa Alexandrina não permitiu nunca que alguém que a tivesse por perto desfolhasse uma planta, sujasse um açude ou apedrejasse um ninho de passarinho.

NA PAGINAÇÃO DA LINHA DO TEMPO

1929 – Nasce a 1ª filha do casal José e Francisca, depois de seis filhos varões. Imaginem a alegria...

1931 – Para preencher uma lacuna na vida da pequena Maria, nasce sua única irmã – Ana Alexandrina.

1945 – Firma namoro com o jovem soldado, Jorge Julião, recém-chegado da guerra.

1946 – No dia 1o de junho casa-se com Jorge Julião da Silva e vai morar em Pico dos Carros, pequeno povoado situado no “pé da serra” de Martins.

1947 – Inicia sua missão de professora da comunidade onde morava (Sitio Pico dos Carros, zona rural de Martins). As aulas eram dadas em sua residência, onde fazia de sua sala de estar à sala de aula dos alunos. Também nesse ano começa a descendência do casal, com o nascimento da primeira das suas dez filhas – Maria da Conceição.

1949 – Nasce a segunda filha da Profa Maria Alexandrina e com ela as muitas noites insone, pois aos 20 anos Alexandrina nunca tinha vivido a experiência de cuidar de uma criança doente, o que Celeste era de sobra; e foi com a ajuda de sua mãe, dona Chiquinha que ela conseguiu salvar sua filha.

1950 – Vem ao mundo sua terceira herdeira, Taniamá.

1952 – Nasce sua quinta filha, Maria Dalva.

1954 – Para grande alegria do casal nasceu no dia 04 de fevereiro, mesmo dia do aniversário de Alexandrina, o primeiro filho homem que recebeu o nome de José  Arimatéia.

1956 – O casal se muda para o Sítio Canto, localizado em cima da Serra de Martins, onde moravam os pais de Alexandrina. 

1958 – Ano de grande seca no Nordeste e o casal com então sete filhos, pois nesse ano nascera o sétimo, Sandoval, enfrenta grandes dificuldades. O esposo, Jorge, vai para as frentes de trabalho nas Emergências, em construções de rodagens e a Profa Maria Alexandrina passou por mais uma tribulação: ficar sozinha com a responsabilidade da família.

1962 – Com Aluísio Alves assumindo o governo do Estado, os professores leigos passam a receber capacitação “Curso de Treinamento” e, com isto Alexandrina precisa afastar-se uma vez por ano do seio familiar enquanto o esposo, Jorge Julião, ficava no comando da casa e do roçado.

1964 – Ano de grande sofrimento para o casal, pois vivem o suplício de enfrentar o falecimento de sua filha Maria da Glória, com 11 meses de idade, o que causou grande sofrimento. Sendo maior para Alexandrina, pois se encontrava em um treinamento e não viu o sepultamento de sua filha.

1965 – Nesse ano a família inicia uma nova etapa; na cidade de Martins só existiam escolas com até o 4º ano ginasial e assim, os filhos do casal que terminassem o curso ginasial, teria que ir estudar em outra cidade, sendo Taniamá a primeira a ir para Mossoró.

1967 – Com as três filhas mais velhas, uma casada e duas em Mossoró, o casal toma uma decisão muito difícil: É hora de acompanhar os filhos fora do ninho; e, mais uma vez, a família se separa; o esposo vai para Mossoró morar com as duas filhas que lá estudavam. É um período difícil, pois o esposo vai trabalhar como operário braçal na Fábrica de Óleo Alfredo Fernandes, sendo que o salário mal dava para pagar o aluguel e o alimento.

1970 – Mais dois dos filhos vão para Mossoró, um deles o filho mais velho dos homens, José  Arimatéia.

1971 – Ano em que a família celebra a grande vitória de Alexandrina conseguir a transferência do emprego para Mossoró, embora tenha que pagar o tributo de sair de sala de aula, pois sem a devida formação não poderia assumir uma sala de aula. Foi, então, trabalhar como servente na E. E. Professor Manoel João, no Alto de São Manoel, no turno noturno. Foi um período muito difícil, já que morava no Bairro Santo Antônio.

1974 - Maria Alexandrina resolve que precisa mostrar aos filhos que a educação é o caminho para o sucesso e entra com empenho no Curso Logos II – equivalente ao Magistério, concluindo com louvor.

1976 - Maria Alexandrina reassume sua sala de aula e dá continuidade a sua missão interrompida por um breve intervalo; esse, que serviu para que nossa mestra aprimorasse o seu talento de educadora e passasse a colocá-lo em prática com mais empenho como uma pessoa que saboreia melhor um copo de água depois de um período de sede.

1978 – Em suas plenas atividades educacionais e religiosas, aos 47 anos, Alexandrina cuidava com esmero dos seus registros pedagógicos, documentando sua prática pedagógica e definindo estratégias de ensino alternativas que melhor se adequassem à alfabetização prazerosa.

1985 - Maria Alexandrina aposenta-se deixando muita saudade na E. E. Associação de Normalistas onde trabalhou seu ultimo ano na ativa, passando a plantar suas sementes em outras salas: netos, bisnetos vizinhos, comunidade, igreja e principalmente em seus amigos que foram muitos.

1986 – Em setembro, Maria Alexandrina fixa residência, com sua família, na Estrada da Raiz, onde inicia um exaustivo trabalho de evangelização e organização da comunidade.

De início, através dos membros do grupo de Jovens Unidos em Cristo (JUC) da Paróquia São José, contando com a participação ativa de três dos seus filhos: Clovis, Livramento e Vildemar, da sua família como um todo e o apoio e orientação espiritual do Sacerdote Pe. Guido foram desenvolvidas várias estratégias de mobilização, sensibilização e evangelização daquele grupo social. Foram colocadas em prática as seguintes ações: Visitas aos moradores, reuniões, celebrações e missas (a maioria desses atos celebrativos eram realizados na sua própria residência).

1987 Cessão de uma parte do terreno de sua residência para o plantio da horta comunitária que veio ajudar muito na história do crescimento da comunidade, pois com a implantação da mesma, foi  possível vivenciar uns dos grandes momentos da verdadeira Comunidade Eclesial de Base.

1988 - Doação de parte do terreno de sua casa à Paróquia de São José para construção de uma igreja, pois queria um espaço perto para a prática evangelizadora. Foi o momento da construção da Capela São Francisco da Estrada da Raiz.

E assim esses atos de fé e construção de cidadania foram contagiando a todos, constituindo-se em verdadeira comunidade católica.

1988 a 1994 – Organização e Coordenação das Pastorais do Dízimo e do Batismo; Participação na Criação do Conselho Comunitário, Grupo de Mães e Grupo de Jovens.

1995 - Fundação da “Legião de Maria Mãe do Conselho”, que teve inicio em 29 de Abril.

Em um dos grandes maravilhosos momentos de evangelização, Maria Alexandrina, adquiriu bíblias para distribuir aos membros dos grupos, o mais especial não foi a distribuição das bíblias e sim marcar cada uma das passagens que retratam os mistérios do terço para as pessoas acompanharem.

Os grupos formados foram: Hora da Graça, Oficio de Nossa Senhora, Oficio das Almas e as Mil Ave Maria.

2000 – Retorna para Martins onde deu continuidade a sua vida de cidadã comprometida com a religiosidade e sustentabilidade ambiental, sendo um baluarte na dinamização dos trabalhos da Capela Jesus Ressuscitado, do Sitio Canto.

Com o agravamento da saúde do seu esposo passou a dedicar-se 24 horas por dia aos cuidados do seu amado, mas, sem se descuidar do seu compromisso com os seus familiares e a Igreja. Tão é verdade que mesmo distante, em Martins, orientou sua filha Lila a fundar a Infância Missionária na Comunidade Estrada da Raiz, o que ocorreu em 14 de Agosto de 2005.

2011 – Quando todas as atenções dos seus filhos e netos estavam voltadas para a saúde de Jorge Julião, seu esposo, em 31 de janeiro, morre a Profa  Maria Alexandrina deixando todos incrédulos e com um grande vazio.

O LEGADO

Determinada, desde a adolescência, os estudos e os desafios profissionais sempre fizeram parte do seu projeto de vida, como mulher, mãe e educadora. 

Como esposa e mãe teve 14 filhos, tendo vivido e convivido com seu esposo grandes batalhas durante toda a sua vida terrena.

Seus Filhos, integrantes do seu templo familiar, são: Maria da Conceição Alves de Azevedo, Regina Celeste da Silva, Taniamá Vieira da Silva Barreto, José Arimatéia Vieira, Maria Dalva Vieira, Leontina Vieira da Silva, Francisco Sandoval Vieira, Vildemar Vieira da Silva, Maria do Livramento Vieira Amâncio, Maria da Glória Vieira (falecida), Antonio Clóvis Vieira, Maria da Conceição Vieira Barbalho, Hugnelson Vieira da Silva e Flávia Maria Vieira da Silva. 

Na qualidade de esposa e mãe sua meta era a perfeição e o amor: as calças e camisas de Jorge, sempre branquíssimas e impecavelmente passadas na goma serviam de admiração de todos os conhecidos e vizinhos.

Religiosamente, todos os domingos, pela manhã, caminhava 03 quilômetros, do Sítio Canto até a cidade, com seu esposo e filhos para assistirem a missa dominical.

Enquanto professora eram muitos os seus dotes, buscando contínuo aperfeiçoamento, conseguindo ser uma excelente alfabetizadora, assumindo sempre o desafio de trazer para sua sala de aula aqueles alunos de outras turmas que tinham dificuldades de alfabetização. Como fala sua ex-diretora Dona Lourdes: “Alexandrina obrava milagres; quando o aluno tinha dificuldades eu dizia: passe este menino para a turma de Alexandrina. Então, dois ou quatro meses depois estava lá, a criança lendo suas primeiras palavras”.

Com a sua morte nós, seus filhos, encontramos dois cadernos com vários escritos, em forma de apontamentos, que sistematizamos, organizamos e pretendemos publicarem breve, sob o título de “Lembranças que me Marcam na Alfabetização Infantil: experiência que deu certo”.

Evangelizadora, não só dos seus filhos, marido, netos, genros, noras, bisnetos, mas também de todos os amigos e conhecidos, a Profa Maria Alexandrina, faleceu, mas as marcas da sua história estão perpetuadas, pois temos a certeza de que o seu projeto de evangelizadora cristã foi plantado em terreno fértil, que aconteceu em dois momentos: na casa da Estrada da Raiz, em Mossoró, e na dos sítios Pico dos Carros, Canto e Frade, em Martins.

Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amor à vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que nos foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetisse. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável: além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída. (Mahatma Gandhi)

A vida continua independentemente dos acontecimentos, o relógio do tempo não para, caminhamos não sabemos pra onde, mas temos pressa de chegar, de ser feliz; mas nessa correria louca da qual o ser humano é vitima e culpado ao mesmo tempo algo não pode faltar, "a Fé no Criador" e agregada a essa Fé, a esperança de dias Iluminados.

A SÍNTESE

Disse um antigo sofista grego que o homem é a medida de todas as coisas. Com base nesse princípio, podemos afirmar, então, que o homem é a melhor medida do próprio homem.

Foi com base neste sofismo que optamos por indicar Maria Alexandrina da Conceição como Patrona da Cadeira 01 da ALAM da qual sou a primeira ocupante transcende a aderência técnico-científica e profissional; há  um significado todo especial da minha relação profissional com a mesma, na qualidade de filha e professora. 

Alexandrina foi a própria medida de ser a melhor representação do significado de ser educadora menina-mulher que disseminou por onde passou a paz a harmonia e a solidariedade.

Também, porque ela, a mulher Alexandrina por si só já representou a medida certa para se fazer homenagear, pela sua vida profissional de educadora, que fez a diferença na Educação, na família, na Igreja e nas comunidades por onde passou.

Dotada de uma humanização ímpar Alexandrina cativava as pessoas que a rodeavam demonstrando uma grande capacidade de liderança, orientação e de fraternidade. Abençoada com uma grande capacidade criativa e de alta habilidade proativa sabia, como ninguém, empreender, estando ai o grande segredo do sucesso da sua vida de educadora e missionária da vida.

Estes são alguns dos fatos que oportunizam a escolha e comprovam a justiça da escolha, acrescidos da adequação do currículo da mesma, ao perfil da Academia de Letras e artes de Martins (ALAM), ficando claro que muitas são as razões pelas quais reconhecemos em Maria Alexandrina da Conceição a figura da cidadã imprescindível ao desenvolvimento ético, social e humanístico.

ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE MARTINS EM AÇÃO 

A vida acadêmica dos integrantes da Academia de Letras e Artes de Martins é cada vez mais produtiva.

OS ELOGIOS

Já proferiram suas orações de elogios aos Patronos das suas cadeiras os seguintes imortais primeiros ocupantes das cadeiras.

Dr Clóvis, ocupante da cadeira 05, no dia 08 de Novembro de 2014, elogiou Elizeu Ventania.

No dia 03 de Janeiro de 2016, a Professora Dalva (cadeira 07) e a Dra Taniamá (cadeira 01) proferiram suas orações de elogios às patronesses, respectivamente, Dona Chiquinha Tabita e Profa. Alexandrina.

Chico Filho, em 23 de Janeiro de 2016, proporcionou-nos uma noite agradável de muita sabedoria, elogiando o Dr. Raimundo Nonato.

No dia 28 de Maio de 2016 foi a vez do Confrade João Sabino, ocupante da Cadeira 02, proferir o elogio ao Pe. Alfredo Simonetti.

OS DIPLOMADOS NO ANO DE 2015 (14 / 03 /2015)

A)   Lívia Martins Pinto, ocupando a cadeira 24, cuja patronesse éMaria Salete Martins Pinto.

É Escritora da área de pesquisa histórica é Enfermeira e atua como servidora pública estadual de saúde. Tem o título de cidadã martinense pelos relevantes serviços prestados na área de saúde. É autora do livro sobre a história de Viçosa.

B)   Zélia Macêdo Lopes Heronildes da Silva, ocupando a cadeira 25, cuja patronesse é Maria Sylvia de Vasconcelos Câmara

É Jornalista, Radialista e Colunista Social. Assessora de Gabinete da Reitoria da UERN, por 14 anos, como Chefe de Cerimonial, Integra o Primeiro Volume do Livro “Perfil Biográfico do Cerimonial Brasileiro”, foi Diretora Social do Lions Clube Mossoró por 10 anos e Assessora Especial de Protocolo e Cerimonial Leonístico Distrital. Sua vasta experiência na comunicação falada e escrita é legitimada pelos seus trabalhos nos jornais: O Mossoroense, Gazeta do Oeste, O Poty, Diário de Natal e Jornal de Natal; e na Radio Libertadora, com um Programa Diário, estilo Coluna Social. É aposentada como jornalista provisionada.

OS DIPLOMADOS EM 2016

I – 23 / 01/ 2016

A)   Manoel Onofre de Souza Neto, ocupando a cadeira 22, cujo Patrono é João Vicente da Costa.

É Advogado Pesquisador, Escritor, afeto a Filosofia, Psicologia e Turismo. É Especialista em Direito da Criança e Adolescente e Direito Processual Civil. É Mestre em Ciências Jurídico-Políticas. Advogou e integrou a diretoria da Escola Superior de Advocacia, da OAB/RN. É Promotor de Justiça da Infância e Juventude em Natal/RN. Foi Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público Potiguar, Vice-Presidente e Secretário da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude (ABMP). É professor.

B)   Manoel Onofre de Souza Júnior, ocupando a cadeira 26, cujo patrono é Manoel Onofre de Souza

É Desembargador, Escritor, Pesquisador, Professor, Jornalista. Assessor Jurídico da Fundação de Habitação Popular do Rio Grande do Norte, Juiz de Direito, exercendo a Justiça nas Comarcas de São Bento do Norte, Taipu, Pau dos Ferros, Martins, Mossoró (2ª Vara) e Natal (3ª e 6ª Varas). Estudioso da cultura do RN é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, e colabora assiduamente em revistas e jornais de Natal. Livros: Literatura do Rio Grande do Norte, Serra Nova, Martins - Sua Terra, Sua Gente, Histórias de Meu Povo, A Primeira Feira de José, Breviário da Cidade de Natal, Chão dos Simples, Poesia Viva de Natal e tantos outros.

C)   Egilson de Oliveira Fernandes, ocupando a cadeira 29, cujo patrono é Herbenio de Oliveira Fernandes.

É Bacharel em economia, Decorador de Eventos Culturais e coordenador do Grupo de Danças Cangaia. 

II - 28 / 05 / 2016.

A)   Cícero Onofre de Andrade Neto, ocupando a cadeira 27, cujo patrono é João Onofre P. de Andrade

O Dr. Cícero Onofre de Andrade Neto, que passa a ocupar a cadeira 27 da ALAM, é natural de Martins, filho de Manoel Onofre de Souza e Maria Cristalina da Costa Onofre. É professor universitário, escritor e pesquisador. Tem dois livros publicados, mais de 30 capítulos em outros 13 livros e mais de 150 artigos publicados. Tem como patrono João Onofre Pinheiro de Andrade.

B)   Paulo Macedo, ocupando a cadeira 32, cujo patrono é Moacir de Lucena.

 O jornalista, escritor e conferencista Isaac Faheina de Paulo Macedo (Paulo Macedo) é renomado nacional e internacionalmente no meio da comunicação escrita, falada e televisiva, com 35 livros publicados. É cearense radicado em Natal, mas tem o título de cidadão martinense, dentre as 158 cidadanias de municípios potiguares. Tem como patrono o professor, juiz de direito, escritor e poeta martinense Moacir de Lucena.

DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DO IMORTAL JOÃO SABINO DE MOURA

Em nome da presidente da ALAM, imortal Taniamá Barreto, eu quero saudar as autoridades que compõem o dispositivo. Da mesma forma, em nome dos imortais Elder Heronildes e Wellington Barreto, presidentes das Academias AMOL e ACJUS, respectivamente, saúdo os acadêmicos e as autoridades aqui presentes. E em nome das escritoras Ângela Gurgel, Josselene Marques e Vanda Jacinto (integrantes do grupo Café & Poesia da cidade de Mossoró), os convidados da Academia e, também, do empresário João Sabino de Moura.

Senhoras e senhores,

João Sabino de Moura é um nordestino, nascido nos recônditos do oeste potiguar e microrregião do Vale do Açu, no sítio São José, na comunidade de Capim Grosso, distante dezoito quilômetros da cidade de São Rafael, no dia 07 de março de 1944. Seus pais, Manoel Sabino de Moura e Francisca Cavalcante de Moura, foram o seu maior exemplo de perseverança, obstinação e capacidade de superação. Costuma dizer, até hoje, que o pai

era o homem mais cheiroso do mundo. E que no dia que ganhava um “xero” dele ou dava um “xero” nele tornava o seu dia o dia mais feliz.

O quarto de uma prole de 8 filhos, ele nasceu em meio a uma grande tempestade – que quase levou o pequeno açude da família – e ao sofrimento de sua genitora que, além das dores naturais de um parto, teve que suportar dores extras, ocasionadas por um panarício na mão esquerda. Embora as adversidades tenham sido inúmeras, nasceu com saúde e, especificamente, num ano de fartura para os Sabinos de Moura. Fartura é modo de dizer, pois a subsistência não passava de um escaldado de farinha e/ou um punhado de batatas. Feijão, arroz e milho, aqui e acolá.

É dele uma das frases mais impactantes que eu já li na minha vida, e que, de certa forma, traduz todo o panorama vivido, por ele e seus irmãos, nas décadas de 40 e 50:

“Todo dia nós passávamos fome; porém, nem passávamos de mais nem de menos, pois mamãe sabia administrar os parcos recursos alimentícios que tínhamos para todo o mês e, assim, todo santo dia era a mesma quantidade do dia anterior”. 

Com quase 3 meses de vida empreendeu a sua primeira viagem: 64 quilômetros em uma tipoia para ser batizado na cidade de Lajes. Entre a ida e a volta, mais de 120 quilômetros balançando lateralmente no dorso do jumento que levava sua genitora na sela. Uma aventura!

É assim que começa a vida de João Sabino de Moura. Um menino que desde cedo driblou as adversidades tendo como meta principal o estudo. Antes, porém, aos 5 anos já tinha como companheira a enxada, para puxar cobra para os pés e, aos 6 anos, pela primeira vez, frequentou uma sala de aula por apenas um mês. É dele a seguinte frase:

“Eu tinha tanta vontade de aprender a ler e a escrever que, nesses 30 dias, eu aprendi a carta de ABC todinha!”

Porém, nesse meio tempo, viveu a dureza de um lugar do semiárido nordestino, onde as dificuldades eram enfrentadas pelas singularidades de cada família – cada uma delas com seus princípios morais e éticos. Somente aos 6 anos de idade calçou, pela primeira vez, uma chinela, feita de borracha de pneu de caminhão e arreatas de couro. 

Aos 8 anos, sem conhecer os caminhos além da cidade de São Rafael, juntamente com dois irmãos menores e um tio, tangendo 100 cabeças de criações, veio bater no sítio Poço do Meio, na época município de Mossoró-RN.

Ainda menino, o espírito empreendedor passou a fazer parte de sua vida. E, por passar a fazer parte, tudo era motivo para perseverar em suas metas. Aos poucos foi conseguindo explorar: dos carros de madeira (feitos para passar dentro dos atoleiros, tendo como passageiros os irmãos menores – em troca de uma colher de feijão, a metade do escaldado e/ou um pedaço de galinha, quando tinha), ao fósforo comprado na feira para revender na sua comunidade, até o serviço de apanhador de madeira e, depois, de lenhador configuraram-se em metas traçadas que foram sendo cumpridas, uma a uma, no decorrer da vida do menino e adolescente João Sabino de Moura.

Embora fosse difícil de conseguir, a parte que tratava dos estudos nunca foi deixada de lado. Das primeiras lições dadas por sua mãe, com ajuda de cadernos feitos com sacos de cimento, recortados e costurados por ela, até a compra de um livro que lhe 

custou 80 dias de trabalho, a leitura e o conhecimento sempre foram uma constante em sua vida. Quando, em 1958, a família se mudou para Mossoró, a Escola Ambulatório Padre Dehon foi a primeira escola formal de sua vida.

“Eu sempre tive muito respeito por meus professores, principalmente, por aqueles que se dedicavam. Esses, eu admirava verdadeiramente, pois percebia, no dia a dia de cada um deles, o amor sendo o seu companheiro de trabalho, disse certa vez.”

Ali ele conheceu pessoas que foram decisivas em sua vida, dentre elas, os padres Joaquim Alfredo Simonetti e Sátiro Cavalcanti Dantas. O padre Alfredo foi quem, percebendo uma dificuldade na fala de João Sabino – que tinha a gagueira como companheira –, adotou um método para que ele deixasse essa incômoda amiga de lado, segundo suas próprias palavras:

“O meu grande incentivador e quem realmente conseguiu fazer com que eu deixasse essa deficiência de lado, sem sombra de dúvidas, foi o padre Joaquim Alfredo Simonetti. Quando eu fui estudar na Escola Estadual Padre Dehon e ele chegou por lá, 

vendo que eu tinha essa carência no falar, passou a me ajudar, colocando-me para ler as mensagens diárias e, aos domingos, na missa, a primeira e a segunda leituras”.  

Das profissões exercidas, no período de 1958 a 1969, as de botador de água em galões e roladeira, quebrador de pedras, vendedor de ovos caipiras, servente de pedreiro, pedreiro e comerciante na “peda do mercado” foram alguns dos ofícios que ele tem orgulho de haver exercido. Especialmente, da “peda do mercado”, ele traz uma bela história para contar:

O ano foi o de 1967 e João Sabino não perdia uma ocasião para ganhar dinheiro. Segundo o seu lema, se tinha gente na rua, tinha gente querendo comprar alguma coisa. E o que ele tinha para vender era sopa. Por isso, numa dessas noites em que o vai e vem de gente prometia, ele soube que no Clube Ypiranga ia haver uma apresentação do Coronel Ludugero, Otrópe e Filomena.

“Como o movimento estava grande, desde cedo da tarde, eu botei uma panela de sopa com um osso grande dentro para cozinhar e, à medida que iam saindo os pratos de sopa, eu ia repondo com mais macarrão e os ingredientes necessários, 

porém, o pedaço de osso permanecia o mesmo. Assim, lá pelas duas da madrugada, horário em que acabou o movimento e as últimas pessoas retornando do show, passaram e comeram, eu já estava quase encerrando as atividades, quando vi a chegada dos três personagens do show: Coronel Ludugero, Otrópe e Filomena, perguntando se tinha alguma coisa para comer. Eu disse que tinha uma sopa. Então, eles pediram para botar três pratos. Eu fui na panela e, quando estava enchendo os pratos, olhei para o osso e percebi que ele já estava descolorido de tanto levar fogo. Mesmo assim, terminei de aprontar os pratos e botei para os clientes. Eles comeram e, para o meu espanto, o coronel Ludugero saiu-se com essa:

– Ô sopa gostosa!”

João Sabino conta que não se admirou com o comentário. Porém, creditou a frase “ô sopa gostosa” à fome que o famoso personagem estava sentindo e completou:

“Ela deveria ser maior que a necessidade que eu tinha de ganhar dinheiro para sustentar a minha família”.

Na escola, a União Caixeiral foi um marco. De repente se viu Técnico em Contabilidade e não desperdiçou o seu certificado. Tornou-se, após vários anos de labuta, referência dentro da categoria e proprietário de um dos principais escritórios do gênero na cidade de Mossoró. A sua humildade e capacidade coletiva de se relacionar fez-lhe dizer:

“Na vida não se chega muito longe sozinho. Na minha vida, especialmente, muita gente contribuiu para que eu pudesse ir um pouco mais longe”.

Foi, depois, professor da própria União Caixeiral e, em seguida, professor universitário, diretor de faculdade (FACEM), não sem antes cursar a tão sonhada graduação em três faculdades (Economia, Administração e Ciências Contábeis). Certa vez disse:

“Ser professor me fez tão bem, deixava-me tão entrosado com a dinâmica da didática, e me completava tanto, que estar em sala de aula me permitia experimentar algo além da obrigação: permitia-me relaxar de um dia cansativo, cheio de problemas e de tensão que o escritório me proporcionava. Eu, hoje em dia, 

ainda sinto falta da sala de aula e do convívio com a multiplicidade de pessoas. Sempre que encontro ex-alunos e fico sabendo que são bem-sucedidos em suas vidas profissionais, eu constato, mais uma vez, a importância da vocação para ser professor”.

Recentemente, em 2015, João Sabino foi comprar um móvel para o seu apartamento. Depois de escolher o que queria, a dona da loja veio ao seu encontro e lhe confidenciou que havia sido sua aluna e lhe agradeceu pelos ensinamentos repassados. Retribuiu aos agradecimentos dizendo:

“O reconhecimento talvez seja o equilíbrio de que o professor precisa para continuar firme em seus propósitos de formar cidadãos, pois não tem nada no mundo que pague o prazer de um ‘muito obrigado, professor’, de quem recebeu seus ensinamentos”.

Depois de ter sido quase tudo, quis ser hoteleiro, e o é até hoje, sendo, inclusive, referência na área como o empreendedor mais bem-sucedido, sobretudo, na Região Oeste do estado. É dele a seguinte citação: 

“[...] assim, toda semana, eu começava o projeto do hotel sem saber como ia chegar ao fim dela. E isso se estende até os dias de hoje. De modo que, até o momento, eu ainda não consegui administrar riquezas, mas, todos os dias, administro os meus propósitos com fé e esperança”.

Dono de uma verve humorística muito boa, João Sabino de Moura costuma dizer que “se o sol nascer na frente, então é dia de trabalho”, deixando claro que, nessas décadas todas de existência, nunca descansou da labuta diária. Ou como ele costuma dizer: “enquanto descanso, eu carrego um caminhão de pedra”.  

Adepto dos conselhos, principalmente dos mais velhos, um deles, dito pelo tio e sogro de seu pai, é uma máxima que ele adapta aos novos tempos e às suas estratégias de empreendedor:

“O agricultor tem que fazer as vezes de doido: plantar antes de a chuva cair e esperar sua chegada para molhar a semente que plantou. Desta forma, quando chover, será o primeiro a ter molhado o seu plantio e o primeiro a colher o que plantou”

Esse é o senhor João Sabino de Moura.

Muito obrigado! 

Aqui está o que PAULO GASTÃO escreveu e enviou depois de participar da Cerimônia de aniversário da ALAM e Diplomação de novos acadêmicos, ocorrida no dia 14 de março de 2015, na Casa de Cultura Popular de Martins. 

De: Paulo Gastão

Para: Taniamá Barreto 

Parabéns!!!!!!

Prezada Taniamá, meu bom dia!!!! Voltei com a mente recheada de belos e oportunos momentos. Este final de semana em Maioridade foi além das expectativas. Porém, quero me referir única e exclusivamente a sua pessoa, que soube conduzir com maestria uma solenidade, onde todos que ali marcaram presença, tem compromisso com a cidade. Tudo transcorreu acredito, como vc. havia programado, nenhuma falha. Sincronia perfeita para com o andamento das proposições ligadas aos convidados e homenageados da ALAM. Naquele momento ficou definida a estrada que percorrerá a Academia, é só uma questão de tempo para com novos ventos que haverão de soprar suave e constantemente, conduzindo a ALAM a um porto seguro. Felicidades, sucesso e que Deus lhe ajude, ilumine seu caminho na árdua luta pela cultura e crescimento da sua terra natal.

Grande abraço. 

Paulo Gastão.

Lindo niño
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